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Água de Poços de Caldas sob suspeita de contaminação

Comissão vai analisar amostras coletadas em ribeirões para saber se houve contaminação por lixo radioativo

Técnicos do Departamento de Água e Esgoto (Dmae) de Poços de Caldas, no Sul de Minas, começaram nesta quinta-feira (19) a analisar 21 amostras de água de ribeirões e represas do município para checar se estão contaminadas por lixo radioativo da Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Os estudos serão feitos em parceria com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e acompanhados pela empresa.

Também será avaliado o material coletado de um reservatório que fica dentro da INB. De acordo com a analista de laboratório do DMAE de Poços de Caldas, Rosemary Caetano Araújo, dentro de dez dias os primeiros resultados serão enviados à Camara Municipal. Vereadores estão investigando o caso.

As suspeitas de contaminação já teriam levado a própria INB a tomar providências, depois que a Justiça determinou que galpões onde estão armazenados materiais radioativos fossem reformados.

A obra não começou, mas o telhado do depósito foi trocado recentemente. No local também foram instaladas telas para impedir a entrada de animais. Segundo a direção da INB, intervenções maiores só podem ser executadas após um processo licitatório. Enquanto isso, técnicos da CNEN monitoram as atividades da empresa.

A INB é ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e foi instalada na zona rural de Caldas (município vizinho a Poços de Caldas) na década de 1980. Chegou a produzir 1,2 mil toneladas de concentrado de Urânio, que resultaram em 11 mil toneladas de rejeitos. O resíduo – uma mistura de tório e urânio, com outros minérios radioativos – é chamado de “Torta 2” e continua armazenado no local.

O parque industrial foi desativado há mais de 15 anos e deixou de herança para a população o fantasma da convivência com o lixo radioativo. No ano passado, uma Ação Civil Pública impetrada pelo promotor José Eduardo de Souza exigiu providências urgentes em relação ao galpão onde os tambores de Torta 2 estão guardados. Mas pouca coisa teria mudado desde então.

“A gente tem medo, ainda mais porque o local ficou abandonado, cheio de ratos e outros bichos que circulam por aí e podem contaminar alimentos e outros animais. Ninguém sabe direito o perigo que este depósito representa”, diz Maria Aparecida Santos, moradora de Caldas.

Técnicos da CNEN farão análises de elementos radioativos propriamente ditos. A previsão é de que os resultados só fiquem prontos em outubro, quando a comissão tiver concluído as seis etapas de coleta de água de diversos mananciais dos dois municípios.

O vereador Joaquim Alves, de Poços de Caldas, explica que esta etapa dos trabalhos cumpre uma das determinações definidas em audiência pública realizada em meados do ano passado. “Há um tabu de que nossas águas são contaminadas por radioatividade. Então, nada melhor que análises sérias para apontar o que de fato existe e o que é boato”.

O tecnologista Alexandre Pereira de Oliveira, da CNEN, explica que será feita uma classificação global da qualidade da água em relação a vários contaminantes. Um dos pontos mais importantes a serem monitorados fica na Fazendo do Osório, onde vários cursos d’água se encontram.

Ele afirma, porém, que rios e afluentes que passam pela INB são acompanhados semanalmente, o que permite ter conhecimento da situação geral da água. “De qualquer forma, este trabalho de campo nos dará uma dimensão maior do que acontece em outros pontos do planalto de Poços de Caldas”, diz.

Fonte: www.agsolve.com.br

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